Palavras entulhadas

 


Estou me sentindo sozinho, minhas palavras já não ressoam e não significam o que devem, nem mesmo para mim. Quando ditas, nas raras vezes que tento me fazer entender, saem sem aceitabilidade. Não comunicam. Das diversas pessoas que passaram em minha vida essa em especial fez sentir-me incompreendido. Sinto que tudo que por mim é dito é descartado. Nos amontoados desse descarte nasceu meu lar, o lugar que mais me encontro ultimamente, mesmo acompanhado do dito cujo, a solidão. As palavras “ditas não ditas” ali se amontoam, dou voltas por elas e nelas me perco e não sei voltar ao ponto inicial do qual partira. Ele me desorganizou. O aprofundamento que tenho em mim machuca. Traz a tona coisas que nem são projeções da minha mente, mas ali estou, só. Não espero mais que um dia haja compreensão do que digo, é preciso ter alma pronta pra agarrar o subjetivo, mas num ato de desespero, pra tentar ser entendido, eu falo, falo, falo. Nada digo, e os entulhos e amontados do não compreendido aumentam. E me sufocam. É como usar uma chave em uma porta sem fechadura. Estou nesse ciclo. Sempre que falo sei que é em vão, e eu não estou fazendo isso , estão fazendo comigo. Há situações que pedem liberdade. E a liberdade dá medo. Quando me desprender disso, vou riscar uma fagulha nesse amontoado de lixos e observar a fogueira consumi-lo . Consumindo a mim mesmo, mas numa versão que não serei mais. Espero me libertar. E quando liberto , lutarei para não voltar aos meus entulhos anteriores. 

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