ESCALA 6x1

    São José dos Campos-SP

    caríssimo leitor trabalhador,

    Acordei lembrando do meu avô, homem bom, trabalhou muito para sustentar a família. Ralou muito, comprou casa e aos sessenta e dois trocou o carro que usou praticamente a vida inteira, o Monza. Naquela manhã de domingo, já com seus sessenta e sete, acordou arrumou-se colocou o uniforme do Trabalho, ostentando o emblema da Empresa que orgulhou-se a vida inteira em ter trabalhado, beijou a testa da minha avó e foi. Procurava Fazer um "Extra", visitar a família, as irmãs nas Minas Gerais, mas nunca mais voltou, morreu numa tarde de domingo, no Trabalho após o almoço, minha avó nunca se recuperou.

    Sempre que o trabalhador conquista um direito, os donos do capital afirmam que a economia vai quebrar.

    Quando a Lei Áurea foi assinada, disseram que a economia dependia da mão de obra escrava e que quebraria.

    Quando o trabalho infantil foi proibido, disseram que, sem as crianças, a Economia iria quebrar.

    Quando as mulheres conquistaram a licença-maternidade, disseram que não haveria como pagá-las e que a Economia quebraria.

    Quando conquistamos as férias remuneradas, disseram que não haveria como pagar os trabalhadores e que a Economia ruiria.

    Quando conquistamos o 13º salário, disseram que a Economia não iria aguentar e que várias Empresas quebrariam.

    Quando conquistamos a licença-saúde, disseram que não haveria como bancar os trabalhadores e que a Economia iria sucumbir.

    Quando conquistamos o Fundo de Garantia, disseram que não haveria como pagar e que a Economia (...) adivinha ?

    Enfim, para todos os direitos que os trabalhadores conquistaram, absolutamente todos, houve resistência em prol da "Economia". Eu nunca A conheci. Mais importante que a qualidade de vida daqueles que cuidam Dela, essa tal Economia.

    A verdade é que As Pessoas que exploram a mão de obra não estão preocupadas com a "Economia" do país; Elas estão preocupadas com a própria concentração de renda. No fim das contas quem quebra é o proletário. O homem que não tem tempo de visitar as irmãs, as irmãs que morrem de desgosto por não terem recebido a visita do irmão que vivia em outro estado, a esposa que desejava ter mais tempo com o marido, os filhos que não queriam inventariar os poucos bens que o pai conquistara. 

    Hoje aos setenta e quatro anos minha avó ainda se lembra dele, sente falta e fala nostalgicamente sobre o pouco tempo que passaram juntos. Já com a saúde debilitada depende dos filhos para ser cuidada. Um dia a mais de folga na semana não seria um luxo na minha família, seria uma oportunidade para aproveitarmos mais uns aos outros e cuidarmos de quem se sacrificou para cuidar de nós. No fim, uma oportunidade para aprender a cuidar mais de gente e um pouco menos dessa tal "Economia".

Comentários

  1. De: Pedro H Farias
    Para: Ronni
    Ronni gostei do seu texto, trás uma grande reflexão, a leitura é muito gostosa de se fazer.

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